Custo de Oportunidade

O conceito de custo de oportunidade é um dos mais importantes em economia e será explicado aqui por etapas. Essa discussão é importante para Finanças Pessoais.

· Custo de oportunidade é aquilo que se abre mão para ter alguma coisa.

Para conseguir algo, quase sempre é necessário perder outra coisa (“não existe almoço grátis”). Para comprar um produto, a pessoa deve abrir mão do dinheiro gasto. Para comprar mais no futuro, a pessoa abre mão de gastar dinheiro hoje (razão fundamental para poupar). Para gastar mais hoje do que se possui, deve-se abrir mão de consumir parte de rendimentos futuros (necessária implicação do endividamento). Gastar tempo estudando envolve abrir mão de usar o tempo para uma infinidade de outras atividades potencialmente mais prazerosas.

· Custo de oportunidade envolve analisar diversas alternativas mutuamente excludentes.

O motivo pelo qual se deve abrir mão de uma coisa para obter outra é que os recursos (dinheiro, tempo, mão de obra etc.) são limitados. A análise do custo de oportunidade passa pela consideração de alternativas que não podem ser escolhidas todas ao mesmo tempo. Gastar R$ 100 em um produto requer deixar de gastar R$ 100 em outro(s) produto (s). Poupar requer gastar menos hoje e se endividar requer gastar menos no futuro. Viajar para um lugar requer deixar de viajar para outro lugar (não se pode viajar para dois lugares ao mesmo tempo). Realizar uma atividade (ir para uma festa, passear no parque, ler este blog etc.) envolve deixar de realizar outras atividades (até é possível fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas dificilmente com a mesma eficiência).

· Custo de oportunidade envolve analisar a relação custo-benefício das alternativas

Não é porque se perde alguma coisa que a decisão é ruim (ou não haveria decisão boa). A escolha de uma das alternativas em detrimento das outras deve levar em conta o custo e o benefício dessas escolhas. As pessoas não analisam apenas os benefícios (a qualidade de um produto, por assim dizer) e não analisam apenas os custos. A escolha nem sempre pelo considerado melhor ou pelo mais barato. Alguma coisa é preferível quando gera mais benefícios em comparação com os custos envolvidos.

Para decisões de consumo, o conceito de “valor” permite essa comparação. Valor é definido como Benefícios menos Custos. Os benefícios são julgamentos subjetivos sobre a utilidade de um bem ou serviço. Esses benefícios podem ser expressos em um valor monetário como sendo o máximo que a pessoa estaria disposta a gastar para comprar esse produto. A análise de custos deve envolver outros custos além dos monetários (tempo, esforço etc.). A melhor alternativa para uma pessoa é aquela que gera mais valor para essa pessoa.

Para decidir o quanto poupar, a pessoa julga quanto vale consumir mais hoje abrindo mão de gastar mais no futuro. Se preferir muito gastar hoje irá poupar pouco (ou até se endividar) e se preferir muito gastar mais no futuro irá poupar mais. Em todos os casos, a decisão é tomada comparando os benefícios com os custos e a taxa de juros é fundamental para essa análise (ver mais abaixo).

Estudar envolve a mesma lógica da poupança, com a pessoa abrindo mão de utilizar o tempo de maneiras mais prazerosas a fim de aprender algo que possa lhe ser útil no futuro.

Aplicações (além das já apresentadas)

Juros: A taxa de juros é o custo de oportunidade do dinheiro. Deixar de poupar para consumir mais envolve abrir mão de receber juros. Quanto maior for a taxa de juros, maior é o custo de oportunidade, ou seja, a pessoa deve se ressentir mais de não poupar para continuar consumindo quanto maiores forem as taxas. Se a pessoa estiver endividada, quanto maior for a taxa de juros que paga, maior é o custo para essa pessoa sem que o benefício seja alterado.

0×0: Uma pessoa realizou um certo investimento que, em um ano, não tinha se valorizado nem desvalorizado (ficou no “zero a zero”). Essa pessoa teve uma perda? Contabilmente, não houve perda: quem aplicou R$ 1.000 e ficou com R$ 1.000 um ano depois não perdeu nem ganhou. Porém, houve uma perda de oportunidade, já que a pessoa poderia ter realizado outra operação, como investir em poupança, e teria mais do que R$ 1.000 nessa situação. Logo, quem investiu em ações e depois tem o mesmo valor investido teve uma perda de oportunidade (pior ainda se a bolsa tivesse subido no mesmo período). O mesmo se aplica para os produtos de principal garantido que investem em ações e garantem o principal, porém, limitando os ganhos; para títulos de capitalização que garantem o principal e outros produtos de investimentos que garantem não a impossibilidade de perdas.

Cursos: Cursos (como os da Investeducar) envolvem outros custos além da inscrição. Participar de um curso envolve abrir mão de utilizar o tempo de outra maneira e o esforço (físico e/ou mental, dependendo do caso) para aprender. A pessoa escolhe participar do curso se os benefícios (o aprendizado) tiver um valor maior do que o valor de outras alternativas. No caso dos cursos da Investeducar, os benefícios são maiores rendimentos sobre o investimento e uma gestão mais eficiente das finanças pessoais. Suponha que uma pessoa passe todos os sábados no parque. Ir a um curso no sábado envolve abrir mão de ir ao parque naquele dia e esse é o custo de oportunidade de ir ao curso.

Um exercício: Uma pessoa recebeu de graça um ingresso para o show do Eric Clapton. No mesmo dia, Bob Dylan fará um show. Essa pessoa estava disposta a gastar $ 50 no ingresso e o preço é de R$ 40. Qual é o custo de oportunidade de ir ao show do Eric Clapton?

A resposta é: ir ao show do Eric Clapton requer abrir mão de um valor de $10, ou seja, o benefício de ir ao show do Bob Dylan menos o preço do ingresso. Logo, o custo de oportunidade é de $10. Se a pessoa estivesse disposta a gastar mais do que $10 no ingresso do show do Eric Clapton, então essa alternativa tem mais valor para a pessoa; do contrário, seria preferível ir ao show do Bob Dylan, mesmo tendo que gastar para isso.

Esse exercício foi usado em uma pesquisa que procurava determinar se as pessoas sabiam aplicar o conceito de custo de oportunidade. Menos de 25% dos respondentes conseguiram acertar a pergunta. A única exceção foram economistas profissionais, que conseguiram um índice de acerto de… 25,1%! O índice mais baixo foi de pessoas que nunca tiveram aulas de Economia, com um 19,5% dos respondentes acertando, ou seja, não muito longe dos 25,1% dos profissionais.

Espera-se que, após essa explicação, o leitor possa compreender e aplicar o conceito de custo de oportunidade. E espera-se também que o benefício da leitura deste texto tenha superado o custo.

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